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Macbook com teclado ABNT, como?


Renato Martins

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48 minutos atrás, Ralf_9k disse:

Venho do futuro para dizer: Quero um teclado com uma tecla única para o 'ç', não custaria nada. Tem o "você se acostuma", e até pode ser, mas por preferência mesmo gostaria da tecla 'ç' bonitinha ali para eu interagir com ela

@Ralf_9k concordo com vc, é questão de preferência; quem gostar e puder, tem que comprar o modelo de Portugal, no Brasil nunca vai ter ç.

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37 minutos atrás, Bruno Régis Duarte disse:

Abençoados, paz a todos! Venho do futuro informar que a Apple inseriu o cedilha, e, a customização está saindo R$1000,00. Adicionando o upgrade de memória você ainda ganha o paninho polidor.

é piada ou é sério isso?

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  • 1 ano depois...

Vez em quando, dou uma pesquisada para ver se alguém já escreveu algo sério sobre a Apple não oferecer teclado ABNT2, e ainda não encontrei. 

Deixando gostos pessoais de lado, existe uma questão aí sobre o assunto do teclado da Apple que tem a ver comsoberania nacional, com a capacidade (e interesse) de um povo de um país de se impor com a sua cultura, seus valores, sua língua e (até mesmo) o seu próprio leiaute de teclado! Vamos aprofundar a coisa a seguir.

É fato que em todos outros países os computadores da Apple são comercializados com o teclado no leiaute padrão daquele país, exceto no Brasil, onde somos "obrigados" a usar o teclado padrão US. Portugal tem seu teclado, Espanha tem seu teclado, Itália, Alemanha e tantos outros países têm a sua versão de teclado, e a Apple se adapta àquele país e entrega o computador com o respectivo teclado. Menos no Brasil. 

Uma coisa é certa, o nosso país há muitas décadas sofre influência cultural estadunidense a níveis muito acima ao do que outros países e povos se sujeitam. É muito comum no Brasil haver uma supervalorização da língua inglesa e de praticamente tudo o que é gringo. Por exemplo, no cinema, entre um filme nacional e outro gringo, é muito provável que a maioria de nós preferirá assistir ao filme gringo (e talvez nunca nem veja o filme nacional). E os filmes gringos, por padrão, costumam ser apresentados aqui com o áudio em inglês e legendados. Porque é isso que a maioria do público prefere por aqui. Reclamaremos se o filme for dublado. E eu me incluo nisso, afinal, sou fruto desta mesma sociedade.

No entanto, quem viaja ao exterior (Europa, no caso) e visita alguns cinemas, se for detalhista, percebe que os filmes por lá são dublados para a língua local, e nem existe opção de áudio inglês com legendas traduzidas. Os programas em canais fechados de TV também são dublados (enquanto aqui temos a cultura da legenda). Andando pelas ruas de Portugal, por exemplo, percebe-se muito menos comércios com nomes em inglês, eles suam a própria língua para dar nomes às suas empresas (por exemplo, me lembro de um bar que servia "Tapas" e o nome era "Tapas nas costas"... inclusive adoro a criatividade deles para nomear estabelecimentos). Já no Brasil é fato: se você não der um nome em inglês pro seu produto, pro seu negócio, pra sua assinatura de e-mail, você está fora (não está, mas a cabeça da pessoa pensa que pra ser bom, pras pessoas acharem bom, tem que ter nome gringo). Numa loja de informática em Portugal, você não compra "mouse", você compra "rato". Enfim..

E de onde vem essa nossa cultura de valorizar o idioma inglês? Acho que não há dúvidas de que é algo fruto do imperialismo cultural dos norte-americanos. Não existe influência cultural de um país em outro que não seja intencional. É a disputa por dominação, por influência mesmo de uns países sobre outros, e inegavelmente, sofremos muita dominação e influência cultural dos EUA. Assim, crescemos em uma sociedade em que consumimos produtos, propaganda, forma de pensar e sonhos de vida gringos, e é muito difícil se dar conta disso e perceber. Normalmente, isso acontece em países que foram colonizados, que são periferia do capitalismo e, portanto, buscam se espelhar ou mesmo permitem facilmente que culturas, hábitos e até a língua das nações dominantes entrem e se proliferem. Isso cria amplos mercados para os produtos do país dominador. Assim, abandonamos nossa própria história e cultura. As classes dominantes fazem isso por acharem "bonito", se distanciam da realidade material e histórica do seu próprio país e tentam se vincular aos padrões estrangeiros. Bom, já cantou Cazuza na música "Burguesia"  que "são caboclos querendo ser ingleses". 

E no fim falei tudo isso pra talvez entendermos melhor porquê uma empresa poderosa se dá ao luxo de vender seus computadores em nosso país sem adequar o teclado para o nosso padrão, sendo que em qualquer outro país eles fazem isso. Então, concluo que, muito provavelmente, isso é assim por uma mescla de oportunidade e estratégia. A oportunidade é devido ao fato de que, como somos tão simpatizantes da língua deles, eles não precisam aumentar o custo de produção tendo de desenvolver para todos os modelos de seus computadores um leiaute a mais para um país específico. E a estratégia é que, mantendo assim, seguirá assim. Pois já é assim. A maioria aqui nem sentirá a necessidade de usar um ABNT2 porque, afinal de contas, NUNCA USOU. Quando usa, não gosta, porque está acostumado ao US. 

Bom, o texto foi longo, mas pode ser interessante a reflexão para quem se permite pensar mais sobre as coisas. Abraço! 

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Em 20/11/2010 at 23:35, MiPsi disse:

Bem, quero dizer primeiro que estou muito feliz!! comprei meu MacBook!!!

Com uma baita preocupação em relação ao teclado, é verdade... mas resolvi arriscar (a vontade de comprar um MAC estava me consumindo...)

E a boa notícia para quem digita sem olhar, como eu, e não queria ter que reaprender a posição das teclas: dá pra baixar o layout do teclado ABNT português, e ele passa a funcionar como tal. Por exemplo, estou aqui digitando essa mensagem no meu MBP sem me preocupar com o que está descrito nas teclas. Estou digitando como se fosse um ABNT, e ele funciona perfeitamente!!!!

Então é isso! Vou seguindo muito feliz por agora fazer parte do grupo MAC, e organizando meus arquivos na minha nova máquina.

Abraço a todos.

Fico feliz que tenha dado tudo certo e que esteja aproveitando seu novo aparelho. 
Eu usava assim antes, mudando p ABNT no sistema. 
Depois troquei meu air por um Pro com teclado de Portugal. 
Eu me acostumei, mas buguei no meio do caminho pq direto eu ia para o teclado mecânico aqui que era inglês e com configuração no sistema ABNT2. 
Sabe o que eu fiz? Larguei tudo. Fiquei só no layout americano, que é o que eu tenho nos meus dois teclados mecânicos, e aí me acostumei e sem bug de troca de teclado na minha cabeça. Eu aprendi a digitar com esse teclado, na época de Windows XP e Milenium, em uma semana já tava tudo perfeito. 

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14 horas atrás, Juliano Martins disse:

Vez em quando, dou uma pesquisada para ver se alguém já escreveu algo sério sobre a Apple não oferecer teclado ABNT2, e ainda não encontrei. 

Deixando gostos pessoais de lado, existe uma questão aí sobre o assunto do teclado da Apple que tem a ver comsoberania nacional, com a capacidade (e interesse) de um povo de um país de se impor com a sua cultura, seus valores, sua língua e (até mesmo) o seu próprio leiaute de teclado! Vamos aprofundar a coisa a seguir.

É fato que em todos outros países os computadores da Apple são comercializados com o teclado no leiaute padrão daquele país, exceto no Brasil, onde somos "obrigados" a usar o teclado padrão US. Portugal tem seu teclado, Espanha tem seu teclado, Itália, Alemanha e tantos outros países têm a sua versão de teclado, e a Apple se adapta àquele país e entrega o computador com o respectivo teclado. Menos no Brasil. 

Uma coisa é certa, o nosso país há muitas décadas sofre influência cultural estadunidense a níveis muito acima ao do que outros países e povos se sujeitam. É muito comum no Brasil haver uma supervalorização da língua inglesa e de praticamente tudo o que é gringo. Por exemplo, no cinema, entre um filme nacional e outro gringo, é muito provável que a maioria de nós preferirá assistir ao filme gringo (e talvez nunca nem veja o filme nacional). E os filmes gringos, por padrão, costumam ser apresentados aqui com o áudio em inglês e legendados. Porque é isso que a maioria do público prefere por aqui. Reclamaremos se o filme for dublado. E eu me incluo nisso, afinal, sou fruto desta mesma sociedade.

No entanto, quem viaja ao exterior (Europa, no caso) e visita alguns cinemas, se for detalhista, percebe que os filmes por lá são dublados para a língua local, e nem existe opção de áudio inglês com legendas traduzidas. Os programas em canais fechados de TV também são dublados (enquanto aqui temos a cultura da legenda). Andando pelas ruas de Portugal, por exemplo, percebe-se muito menos comércios com nomes em inglês, eles suam a própria língua para dar nomes às suas empresas (por exemplo, me lembro de um bar que servia "Tapas" e o nome era "Tapas nas costas"... inclusive adoro a criatividade deles para nomear estabelecimentos). Já no Brasil é fato: se você não der um nome em inglês pro seu produto, pro seu negócio, pra sua assinatura de e-mail, você está fora (não está, mas a cabeça da pessoa pensa que pra ser bom, pras pessoas acharem bom, tem que ter nome gringo). Numa loja de informática em Portugal, você não compra "mouse", você compra "rato". Enfim..

E de onde vem essa nossa cultura de valorizar o idioma inglês? Acho que não há dúvidas de que é algo fruto do imperialismo cultural dos norte-americanos. Não existe influência cultural de um país em outro que não seja intencional. É a disputa por dominação, por influência mesmo de uns países sobre outros, e inegavelmente, sofremos muita dominação e influência cultural dos EUA. Assim, crescemos em uma sociedade em que consumimos produtos, propaganda, forma de pensar e sonhos de vida gringos, e é muito difícil se dar conta disso e perceber. Normalmente, isso acontece em países que foram colonizados, que são periferia do capitalismo e, portanto, buscam se espelhar ou mesmo permitem facilmente que culturas, hábitos e até a língua das nações dominantes entrem e se proliferem. Isso cria amplos mercados para os produtos do país dominador. Assim, abandonamos nossa própria história e cultura. As classes dominantes fazem isso por acharem "bonito", se distanciam da realidade material e histórica do seu próprio país e tentam se vincular aos padrões estrangeiros. Bom, já cantou Cazuza na música "Burguesia"  que "são caboclos querendo ser ingleses". 

E no fim falei tudo isso pra talvez entendermos melhor porquê uma empresa poderosa se dá ao luxo de vender seus computadores em nosso país sem adequar o teclado para o nosso padrão, sendo que em qualquer outro país eles fazem isso. Então, concluo que, muito provavelmente, isso é assim por uma mescla de oportunidade e estratégia. A oportunidade é devido ao fato de que, como somos tão simpatizantes da língua deles, eles não precisam aumentar o custo de produção tendo de desenvolver para todos os modelos de seus computadores um leiaute a mais para um país específico. E a estratégia é que, mantendo assim, seguirá assim. Pois já é assim. A maioria aqui nem sentirá a necessidade de usar um ABNT2 porque, afinal de contas, NUNCA USOU. Quando usa, não gosta, porque está acostumado ao US. 

Bom, o texto foi longo, mas pode ser interessante a reflexão para quem se permite pensar mais sobre as coisas. Abraço! 

Eu parei de ler no "estadunidense". Sou republicofederativense e não aceito isso. 

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17 horas atrás, Juliano Martins disse:

Vez em quando, dou uma pesquisada para ver se alguém já escreveu algo sério sobre a Apple não oferecer teclado ABNT2, e ainda não encontrei. 

Deixando gostos pessoais de lado, existe uma questão aí sobre o assunto do teclado da Apple que tem a ver comsoberania nacional, com a capacidade (e interesse) de um povo de um país de se impor com a sua cultura, seus valores, sua língua e (até mesmo) o seu próprio leiaute de teclado! Vamos aprofundar a coisa a seguir.

É fato que em todos outros países os computadores da Apple são comercializados com o teclado no leiaute padrão daquele país, exceto no Brasil, onde somos "obrigados" a usar o teclado padrão US. Portugal tem seu teclado, Espanha tem seu teclado, Itália, Alemanha e tantos outros países têm a sua versão de teclado, e a Apple se adapta àquele país e entrega o computador com o respectivo teclado. Menos no Brasil. 

Uma coisa é certa, o nosso país há muitas décadas sofre influência cultural estadunidense a níveis muito acima ao do que outros países e povos se sujeitam. É muito comum no Brasil haver uma supervalorização da língua inglesa e de praticamente tudo o que é gringo. Por exemplo, no cinema, entre um filme nacional e outro gringo, é muito provável que a maioria de nós preferirá assistir ao filme gringo (e talvez nunca nem veja o filme nacional). E os filmes gringos, por padrão, costumam ser apresentados aqui com o áudio em inglês e legendados. Porque é isso que a maioria do público prefere por aqui. Reclamaremos se o filme for dublado. E eu me incluo nisso, afinal, sou fruto desta mesma sociedade.

No entanto, quem viaja ao exterior (Europa, no caso) e visita alguns cinemas, se for detalhista, percebe que os filmes por lá são dublados para a língua local, e nem existe opção de áudio inglês com legendas traduzidas. Os programas em canais fechados de TV também são dublados (enquanto aqui temos a cultura da legenda). Andando pelas ruas de Portugal, por exemplo, percebe-se muito menos comércios com nomes em inglês, eles suam a própria língua para dar nomes às suas empresas (por exemplo, me lembro de um bar que servia "Tapas" e o nome era "Tapas nas costas"... inclusive adoro a criatividade deles para nomear estabelecimentos). Já no Brasil é fato: se você não der um nome em inglês pro seu produto, pro seu negócio, pra sua assinatura de e-mail, você está fora (não está, mas a cabeça da pessoa pensa que pra ser bom, pras pessoas acharem bom, tem que ter nome gringo). Numa loja de informática em Portugal, você não compra "mouse", você compra "rato". Enfim..

E de onde vem essa nossa cultura de valorizar o idioma inglês? Acho que não há dúvidas de que é algo fruto do imperialismo cultural dos norte-americanos. Não existe influência cultural de um país em outro que não seja intencional. É a disputa por dominação, por influência mesmo de uns países sobre outros, e inegavelmente, sofremos muita dominação e influência cultural dos EUA. Assim, crescemos em uma sociedade em que consumimos produtos, propaganda, forma de pensar e sonhos de vida gringos, e é muito difícil se dar conta disso e perceber. Normalmente, isso acontece em países que foram colonizados, que são periferia do capitalismo e, portanto, buscam se espelhar ou mesmo permitem facilmente que culturas, hábitos e até a língua das nações dominantes entrem e se proliferem. Isso cria amplos mercados para os produtos do país dominador. Assim, abandonamos nossa própria história e cultura. As classes dominantes fazem isso por acharem "bonito", se distanciam da realidade material e histórica do seu próprio país e tentam se vincular aos padrões estrangeiros. Bom, já cantou Cazuza na música "Burguesia"  que "são caboclos querendo ser ingleses". 

E no fim falei tudo isso pra talvez entendermos melhor porquê uma empresa poderosa se dá ao luxo de vender seus computadores em nosso país sem adequar o teclado para o nosso padrão, sendo que em qualquer outro país eles fazem isso. Então, concluo que, muito provavelmente, isso é assim por uma mescla de oportunidade e estratégia. A oportunidade é devido ao fato de que, como somos tão simpatizantes da língua deles, eles não precisam aumentar o custo de produção tendo de desenvolver para todos os modelos de seus computadores um leiaute a mais para um país específico. E a estratégia é que, mantendo assim, seguirá assim. Pois já é assim. A maioria aqui nem sentirá a necessidade de usar um ABNT2 porque, afinal de contas, NUNCA USOU. Quando usa, não gosta, porque está acostumado ao US. 

Bom, o texto foi longo, mas pode ser interessante a reflexão para quem se permite pensar mais sobre as coisas. Abraço! 

Achei interessante a reflexão e concordo que temos, sim, esta síndrome de pensar que tudo (ou quase tudo) o que vem de fora do Brasil é melhor. Quantos no Brasil assistiram ao Super Bowl ontem? Alguém sabe quando vai ser a Super Copa do Brasil (e quais os times que vão disputar)? Só para manter a reflexão...

 

Mas, acho que o fato de a Apple não disponibilizar um teclado padrão ABNT2 para o mercado brasileiro tem menos a ver com isto que foi apresentado do que com o fato de que, sim, o Brasil é um mercado grande para a Apple, mas quantos dos equipamentos Apple ativos no Brasil foram de fato comprados aqui? Não sei se existe este levantamento, mas imagino que a esmagadora maioria dos equipamentos que estão em funcionamento no Brasil são adquiridos fora daqui (Paraguai, EUA e até Europa), pelo simples fato de que são mais baratos. Quando virem alguém utilizando um MacBook, iPad ou iPhone que estiver sendo recarregado, reparem no carregador... Em sua grande maioria são do padrão Americano, ou seja, adquiridos fora do Brasil.

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Em 11/02/2024 at 16:43, Juliano Martins disse:

Vez em quando, dou uma pesquisada para ver se alguém já escreveu algo sério sobre a Apple não oferecer teclado ABNT2, e ainda não encontrei. 

Deixando gostos pessoais de lado, existe uma questão aí sobre o assunto do teclado da Apple que tem a ver comsoberania nacional, com a capacidade (e interesse) de um povo de um país de se impor com a sua cultura, seus valores, sua língua e (até mesmo) o seu próprio leiaute de teclado! Vamos aprofundar a coisa a seguir.

É fato que em todos outros países os computadores da Apple são comercializados com o teclado no leiaute padrão daquele país, exceto no Brasil, onde somos "obrigados" a usar o teclado padrão US. Portugal tem seu teclado, Espanha tem seu teclado, Itália, Alemanha e tantos outros países têm a sua versão de teclado, e a Apple se adapta àquele país e entrega o computador com o respectivo teclado. Menos no Brasil. 

Uma coisa é certa, o nosso país há muitas décadas sofre influência cultural estadunidense a níveis muito acima ao do que outros países e povos se sujeitam. É muito comum no Brasil haver uma supervalorização da língua inglesa e de praticamente tudo o que é gringo. Por exemplo, no cinema, entre um filme nacional e outro gringo, é muito provável que a maioria de nós preferirá assistir ao filme gringo (e talvez nunca nem veja o filme nacional). E os filmes gringos, por padrão, costumam ser apresentados aqui com o áudio em inglês e legendados. Porque é isso que a maioria do público prefere por aqui. Reclamaremos se o filme for dublado. E eu me incluo nisso, afinal, sou fruto desta mesma sociedade.

No entanto, quem viaja ao exterior (Europa, no caso) e visita alguns cinemas, se for detalhista, percebe que os filmes por lá são dublados para a língua local, e nem existe opção de áudio inglês com legendas traduzidas. Os programas em canais fechados de TV também são dublados (enquanto aqui temos a cultura da legenda). Andando pelas ruas de Portugal, por exemplo, percebe-se muito menos comércios com nomes em inglês, eles suam a própria língua para dar nomes às suas empresas (por exemplo, me lembro de um bar que servia "Tapas" e o nome era "Tapas nas costas"... inclusive adoro a criatividade deles para nomear estabelecimentos). Já no Brasil é fato: se você não der um nome em inglês pro seu produto, pro seu negócio, pra sua assinatura de e-mail, você está fora (não está, mas a cabeça da pessoa pensa que pra ser bom, pras pessoas acharem bom, tem que ter nome gringo). Numa loja de informática em Portugal, você não compra "mouse", você compra "rato". Enfim..

E de onde vem essa nossa cultura de valorizar o idioma inglês? Acho que não há dúvidas de que é algo fruto do imperialismo cultural dos norte-americanos. Não existe influência cultural de um país em outro que não seja intencional. É a disputa por dominação, por influência mesmo de uns países sobre outros, e inegavelmente, sofremos muita dominação e influência cultural dos EUA. Assim, crescemos em uma sociedade em que consumimos produtos, propaganda, forma de pensar e sonhos de vida gringos, e é muito difícil se dar conta disso e perceber. Normalmente, isso acontece em países que foram colonizados, que são periferia do capitalismo e, portanto, buscam se espelhar ou mesmo permitem facilmente que culturas, hábitos e até a língua das nações dominantes entrem e se proliferem. Isso cria amplos mercados para os produtos do país dominador. Assim, abandonamos nossa própria história e cultura. As classes dominantes fazem isso por acharem "bonito", se distanciam da realidade material e histórica do seu próprio país e tentam se vincular aos padrões estrangeiros. Bom, já cantou Cazuza na música "Burguesia"  que "são caboclos querendo ser ingleses". 

E no fim falei tudo isso pra talvez entendermos melhor porquê uma empresa poderosa se dá ao luxo de vender seus computadores em nosso país sem adequar o teclado para o nosso padrão, sendo que em qualquer outro país eles fazem isso. Então, concluo que, muito provavelmente, isso é assim por uma mescla de oportunidade e estratégia. A oportunidade é devido ao fato de que, como somos tão simpatizantes da língua deles, eles não precisam aumentar o custo de produção tendo de desenvolver para todos os modelos de seus computadores um leiaute a mais para um país específico. E a estratégia é que, mantendo assim, seguirá assim. Pois já é assim. A maioria aqui nem sentirá a necessidade de usar um ABNT2 porque, afinal de contas, NUNCA USOU. Quando usa, não gosta, porque está acostumado ao US. 

Bom, o texto foi longo, mas pode ser interessante a reflexão para quem se permite pensar mais sobre as coisas. Abraço! 

Li tudo não...querendo evitar a fadiga...

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O cara escreveu um livro usando seu teclado ABNT II para criticar o teclado EN-US INTERNACIONAL...

Eu sou da época que QUALQUER PC no Brasil usava teclado EN-US INTERNACIONAL, independente do fabricante e cresci acostumado com isso... hoje, se compro um teclado, procuro o padrão internacional, pois já digito assim a uns 30 anos e não consigo entender a dificuldade da galera usar o teclado EN-US INTERNACIONAL e ainda por cima cometer a "gafe" de chamá-lo de "padrão americano", mostrando que não conhecem nada do assunto mesmo!

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  • 2 semanas depois...
Em 11/02/2024 at 16:43, Juliano Martins disse:

Vez em quando, dou uma pesquisada para ver se alguém já escreveu algo sério sobre a Apple não oferecer teclado ABNT2, e ainda não encontrei. 

Deixando gostos pessoais de lado, existe uma questão aí sobre o assunto do teclado da Apple que tem a ver comsoberania nacional, com a capacidade (e interesse) de um povo de um país de se impor com a sua cultura, seus valores, sua língua e (até mesmo) o seu próprio leiaute de teclado! Vamos aprofundar a coisa a seguir.

É fato que em todos outros países os computadores da Apple são comercializados com o teclado no leiaute padrão daquele país, exceto no Brasil, onde somos "obrigados" a usar o teclado padrão US. Portugal tem seu teclado, Espanha tem seu teclado, Itália, Alemanha e tantos outros países têm a sua versão de teclado, e a Apple se adapta àquele país e entrega o computador com o respectivo teclado. Menos no Brasil. 

Uma coisa é certa, o nosso país há muitas décadas sofre influência cultural estadunidense a níveis muito acima ao do que outros países e povos se sujeitam. É muito comum no Brasil haver uma supervalorização da língua inglesa e de praticamente tudo o que é gringo. Por exemplo, no cinema, entre um filme nacional e outro gringo, é muito provável que a maioria de nós preferirá assistir ao filme gringo (e talvez nunca nem veja o filme nacional). E os filmes gringos, por padrão, costumam ser apresentados aqui com o áudio em inglês e legendados. Porque é isso que a maioria do público prefere por aqui. Reclamaremos se o filme for dublado. E eu me incluo nisso, afinal, sou fruto desta mesma sociedade.

No entanto, quem viaja ao exterior (Europa, no caso) e visita alguns cinemas, se for detalhista, percebe que os filmes por lá são dublados para a língua local, e nem existe opção de áudio inglês com legendas traduzidas. Os programas em canais fechados de TV também são dublados (enquanto aqui temos a cultura da legenda). Andando pelas ruas de Portugal, por exemplo, percebe-se muito menos comércios com nomes em inglês, eles suam a própria língua para dar nomes às suas empresas (por exemplo, me lembro de um bar que servia "Tapas" e o nome era "Tapas nas costas"... inclusive adoro a criatividade deles para nomear estabelecimentos). Já no Brasil é fato: se você não der um nome em inglês pro seu produto, pro seu negócio, pra sua assinatura de e-mail, você está fora (não está, mas a cabeça da pessoa pensa que pra ser bom, pras pessoas acharem bom, tem que ter nome gringo). Numa loja de informática em Portugal, você não compra "mouse", você compra "rato". Enfim..

E de onde vem essa nossa cultura de valorizar o idioma inglês? Acho que não há dúvidas de que é algo fruto do imperialismo cultural dos norte-americanos. Não existe influência cultural de um país em outro que não seja intencional. É a disputa por dominação, por influência mesmo de uns países sobre outros, e inegavelmente, sofremos muita dominação e influência cultural dos EUA. Assim, crescemos em uma sociedade em que consumimos produtos, propaganda, forma de pensar e sonhos de vida gringos, e é muito difícil se dar conta disso e perceber. Normalmente, isso acontece em países que foram colonizados, que são periferia do capitalismo e, portanto, buscam se espelhar ou mesmo permitem facilmente que culturas, hábitos e até a língua das nações dominantes entrem e se proliferem. Isso cria amplos mercados para os produtos do país dominador. Assim, abandonamos nossa própria história e cultura. As classes dominantes fazem isso por acharem "bonito", se distanciam da realidade material e histórica do seu próprio país e tentam se vincular aos padrões estrangeiros. Bom, já cantou Cazuza na música "Burguesia"  que "são caboclos querendo ser ingleses". 

E no fim falei tudo isso pra talvez entendermos melhor porquê uma empresa poderosa se dá ao luxo de vender seus computadores em nosso país sem adequar o teclado para o nosso padrão, sendo que em qualquer outro país eles fazem isso. Então, concluo que, muito provavelmente, isso é assim por uma mescla de oportunidade e estratégia. A oportunidade é devido ao fato de que, como somos tão simpatizantes da língua deles, eles não precisam aumentar o custo de produção tendo de desenvolver para todos os modelos de seus computadores um leiaute a mais para um país específico. E a estratégia é que, mantendo assim, seguirá assim. Pois já é assim. A maioria aqui nem sentirá a necessidade de usar um ABNT2 porque, afinal de contas, NUNCA USOU. Quando usa, não gosta, porque está acostumado ao US. 

Bom, o texto foi longo, mas pode ser interessante a reflexão para quem se permite pensar mais sobre as coisas. Abraço! 

Concordo com tudo e acrescento que a língua portuguesa é preterida pela Apple faz anos, inclusive no HomePod entre outros, por isso criei um tópico do Samsung S24, dizendo que fiquei surpreso da Samsung lançar todas as funções já em pt-br logo de cara, pois estou "acostumado" a ser preterido pela Apple!

Acho que eles contabilizam tudo, por exemplo, retardaram USB-C, até serem obrigados, ao invés do consumidor rejeitar, foi o iPhone mais vendido... então, mudar para quê, se o consumidor aceita tudo?...  

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1 hora atrás, Antonio_M_A_S disse:

Concordo com tudo e acrescento que a língua portuguesa é preterida pela Apple faz anos, inclusive no HomePod entre outros, por isso criei um tópico do Samsung S24, dizendo que fiquei surpreso da Samsung lançar todas as funções já em pt-br logo de cara, pois estou "acostumado" a ser preterido pela Apple!

Acho que eles contabilizam tudo, por exemplo, retardaram USB-C, até serem obrigados, ao invés do consumidor rejeitar, foi o iPhone mais vendido... então, mudar para quê, se o consumidor aceita tudo?...  

No meu ramo (Engenharia Industrial) a maioria dos grandes equipamentos envolvidos no processo industrial são fabricados, na Suécia, Alemanha, Itália, Noruega, EUA, China e Japão...

A tecnologia empregada é toda desses países e nesse caso, manuais e documentos técnicos vem em linguagem padrão internacional (e não na linguagem do País emitente). Oficialmente possuímos duas línguas padrão internacional : Francês e Inglês... particularmente, prefiro o inglês ao francês kkkkk

É de conhecimento de todos que o Brasil é grande produtor de matéria-prima, e desenvolve muito bem tecnologias, mas na hora de produzir, nossa indústria é primária e no máximo secundária, por isso precisamos importar tudo aquilo que é terciário (primeira linha de tecnologia)... muitos vão dizer que a indústria de informática, eletrônica e automobilística brasileira é avançada, mas não se enganem... o Brasil apenas "monta" aqui, toda a produção "fina" vem pronta de fora e aqui apenas monta quebra-cabeças...

Dito tudo isso, fica claro o motivo de utilizarmos o padrão inglês internacional e não o inglês americano (como confundido no textão do amigo mais acima) nos dispositivos de tecnologia no Brasil...

Como preciso transitar entre tecnologias provenientes de vários países diferentes, prefiro que seja tudo em um único padrão, para evitar contratempos de trocas de lay-outs, etc... imagine vc precisar digitar longos documentos em padrão ABNT numa semana, na semana seguinte digitar usando padrão português europeu, daí na semana seguinte precisa usar formato inglês internacional e ABNTII... conseguem ver a curva de desalereção e reaceleração?

A verdade é que países que recebem teclados próprios tem suas vantagens e desvantagens, mas se pensarmos em desenvolvimento ao longo do tempo, usar o padrão inglês internacional pode ser mais vantagem que desvantagem e não estou me referindo a pessoal que usa computador pra digitar documentos de escritório, e-mails, navegar e jogar... estou falando de gente que PRODUZ.

 

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3 horas atrás, Anderson Siqueira disse:

No meu ramo (Engenharia Industrial) a maioria dos grandes equipamentos envolvidos no processo industrial são fabricados, na Suécia, Alemanha, Itália, Noruega, EUA, China e Japão...

A tecnologia empregada é toda desses países e nesse caso, manuais e documentos técnicos vem em linguagem padrão internacional (e não na linguagem do País emitente). Oficialmente possuímos duas línguas padrão internacional : Francês e Inglês... particularmente, prefiro o inglês ao francês kkkkk

É de conhecimento de todos que o Brasil é grande produtor de matéria-prima, e desenvolve muito bem tecnologias, mas na hora de produzir, nossa indústria é primária e no máximo secundária, por isso precisamos importar tudo aquilo que é terciário (primeira linha de tecnologia)... muitos vão dizer que a indústria de informática, eletrônica e automobilística brasileira é avançada, mas não se enganem... o Brasil apenas "monta" aqui, toda a produção "fina" vem pronta de fora e aqui apenas monta quebra-cabeças...

Dito tudo isso, fica claro o motivo de utilizarmos o padrão inglês internacional e não o inglês americano (como confundido no textão do amigo mais acima) nos dispositivos de tecnologia no Brasil...

Como preciso transitar entre tecnologias provenientes de vários países diferentes, prefiro que seja tudo em um único padrão, para evitar contratempos de trocas de lay-outs, etc... imagine vc precisar digitar longos documentos em padrão ABNT numa semana, na semana seguinte digitar usando padrão português europeu, daí na semana seguinte precisa usar formato inglês internacional e ABNTII... conseguem ver a curva de desalereção e reaceleração?

A verdade é que países que recebem teclados próprios tem suas vantagens e desvantagens, mas se pensarmos em desenvolvimento ao longo do tempo, usar o padrão inglês internacional pode ser mais vantagem que desvantagem e não estou me referindo a pessoal que usa computador pra digitar documentos de escritório, e-mails, navegar e jogar... estou falando de gente que PRODUZ.

 

Entendi e concordo com vc, realmente o padrão é o melhor, no trabalho uso ABNT e em casa Mac, realmente perco muitos e muitos minutos do dia confundindo os atalhos, isso ao longo do tempo causa atrasos...

Confesso que o teclado é o que menos me incomoda, mas todas as demais implementações, na sua maioria "apenas" de soft, mesmo assim a Apple nos deixa em segundo plano, sempre quis HomePod por exemplo, mas tenho que usar Alexa, que não se fala com Siri e etc, Siri é a assistente mais burra do plano, o teclado do iPhone é um dos piores que existe, tudo por causa da empresa "não se importar", com a nossa língua!

Sei que nossa língua é complexa sim, mas como podemos ver aqui no fórum e nas pesquisas, tem muito campo, somos uma fração legal de consumidores, acho que pra facilitar para usuários básicos, valeria a pena ter tudo em pt-br, como a Samsung fez! Antes de ver o evento de lançamento do S24, imaginei "pt-br só final do ano", depois veio a surpresa e admiração por já ter tudo, inclusive o tradutor de chamadas por voz bidirecional, tudo em pt-br! Ou seja, é possível uma empresa fazer sim, caso queira!

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  • 3 semanas depois...
Em 11/02/2024 at 23:39, Juliano Pereira de Castro disse:

Fico feliz que tenha dado tudo certo e que esteja aproveitando seu novo aparelho. 
Eu usava assim antes, mudando p ABNT no sistema. 
Depois troquei meu air por um Pro com teclado de Portugal. 
Eu me acostumei, mas buguei no meio do caminho pq direto eu ia para o teclado mecânico aqui que era inglês e com configuração no sistema ABNT2. 
Sabe o que eu fiz? Larguei tudo. Fiquei só no layout americano, que é o que eu tenho nos meus dois teclados mecânicos, e aí me acostumei e sem bug de troca de teclado na minha cabeça. Eu aprendi a digitar com esse teclado, na época de Windows XP e Milenium, em uma semana já tava tudo perfeito. 

Tenho um mágico keyboard de Portugal tb, com Touch ID. Comprei pensando que seria ótimo, porém não é. O teclado em si, se fosse digitar somente nele, rapidamente me adaptaria, pois é bem mais prático até que o BR (exceto pelo @), mas tem os ordinais de forma mais fácil, outros sinais tb mais práticos.

O problema é que uso mais tempo o teclado no MacBook, em US, e já tenho (temos) usado ele há tempos, há tanto tanto tempo, que o meu é configurado pra abnt2, e já teclo o ç e outros sinais sem nem olhar pros teclas, afinal são outras teclas rsrs. E nessa mudança de apenas 2 dias, que são os dias em que uso o tec. externo, sinto dificuldade na adaptação.

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